segunda-feira, 14 de maio de 2012

A tal da Queima


Aqui em Coimbra na semana passada teve a tão esperada Queima das Fitas. É mais uma das tradições (a palavra mais usada na Universidade, tanto para o bem como para o mal: tradição) a qual marca a despedida dos estudantes. Então a Queima tem esse sabor de saudade antecipada de Coimbra, das noites, dos amigos, da liberdade.... dos tempos de estudantes universitários, isto é, aqueles anos em que nos julgam intelectuais e que na verdade só estamos reclamando da aula de amanhã às 9:00 da manhã.

Pois bem, no meio de tantas saudades e tradições é de se esperar algo triste, com lágrimas. Não nos enganemos, há sempre o Carpe Diem. Estou dizendo que a Queima é uma semana que tem festas, uma grande festa todos os dias, pra lá do Mondego. Tem bandas internacionais e tudo. É uma despedida para nunca mais esquecer.

Creio que essa minha primeira Queima não vai ser a minha última. Porém, acabei vivendo a semana passada com um pouco de saudade nos olhos, senti saudades por e pelos os meus amigos que logo menos estarão me deixando e retornando ao Brasil. Mas até lá há alguns meses para juntarmos histórias por aqui.

Aliás, tenho que esclarecer que na minha Queima eu assisti o ritual da serenata (o que marca o início da semana) do meu quarto, e adorei essa festa porque nas suas proximidades estavam vendendo algodão doce. Passei a semana de festas no meu quarto, indo às livrarias pela região, assistindo seriados, tomando cafés e tendo boas conversas. Não desci para a noite, fiquei por aqui vivendo a tranquilidade. Era para eu ter posto tudo em ordem, ao contrário disso, nem o aspirador no meu quarto passei.  Agitação por esses dias não eram bem vindas.

Talvez ano que vem eu esteja mais animada para essas festividades, mas eu já posso dizer que acho difícil. No fim eu continuo sendo aquela pessoa que se cansa fácil, e que precisa saber a hora que a diversão exacerbada acaba, para voltar para a casa, e para tudo que me é familiar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Do meu quarto

O meu quarto novo é de frente para a Sé Velha, tem uma sacada e é no segundo andar. O problema é que é neste espaço que os bares de Coimbra se concentram. A casa em que eu moro já fica em cima de um deles. Isso quer dizer que durmo todos os dias com muitas vozes na minha janela, assim como música e risadas. Porém, isso não atrapalha meu sono, durmo tranquilamente. Até mesmo porque aqui os bares têm horário para fechar: às 4h:00.

O estranho é que durmo com o barulho e mais ou menos lá pelas 4h:00 eu acordo, com o silêncio. E nessa noite acordei com o silêncio e com o carro que passa lavando a Sé Velha, e que sempre me deixa na dúvida se é chuva, ou não.  E nessa noite acordei com o silêncio e perdi o sono por causa da serenidade do som de água no chão.

Aqui em Coimbra tudo tende a ficar ao contrário. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Trapaceiros

Aqui em Coimbra é verdade que vivemos conhecendo pessoas novas, lugares novos e vivendo experiências que entre o trágico e o incrível eu classifico todas de divertidas. Porém, não tem jeito, os assuntos que mais estão na nossa mente são saudade e o tempo.

E, como me disse uma vez Hemingway,  durante o dia é muito fácil levar uma vida feliz, mas é durante a noite que a verdade aparece (isso não é uma citação, é apenas como eu lembro). Pois é, tem dias que passamos muito bem e durante a noite eu só queria estar em casa. Um amigo me disse que é normal sentir saudades e que todos que estão aqui sentem a mesma coisa. Peço desculpas, eu sinto mais. Não me culpem, culpem aqueles que conviviam comigo.

Embora na semana passada eu tenha sentido aquela saudade de casa, acho que a cada dia que passa estou sabendo lhe dar com ela melhor. Saber lhe dar com a saudade pra mim é voltar a fazer o que eu fazia em Matão, sem aquela melancolia. Há alguns dias voltei a escrever no meu caderno de capa azul. Tinha-o abandonado, nunca mais o tinha aberto e na mudança de quarto (essa mudança é assunto de um outro post) senti uma vontade imensa de escrever nele. Como nos velhos tempos. E lê-lo! Claro! Ativar a memória sobre fatos e pessoas que não vivo e convivo há algum tempo, mas que sempre estão comigo. E então sentei e escrevi. Escrever em um diário é melhor que terapia, escrevemos sem culpas e despejamos tudo o que sentimos e no fim me sinto livre das minhas angústias, fecho o caderno e grande parte delas ficam ali.

Voltei a querer ficar em silêncio para uma leitura, para a leitura daquele livro muito importante para a Literatura, mas que nenhum professor tenha pedido.  E lembrei que o melhor lugar para ler é no tapete.

Já falei isso aqui, mas gosto muito quando sinto que estou mantendo a minha essência.

Eu sei que a saudade vai permear duramente um momento e outro, enquanto que no resto do tempo eu convivo com ela. A verdade é que às vezes desmentir a despedida é muito difícil. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um bom filho sempre retorna a casa.

Essa é a frase que define todo retorno às aulas, e nesse semestre então, nem se fala.  Eu gosto de me iludir, por isso chamo aquela uma semana sem aulas de férias.  Porque foi o tempo de ficar em casa e organizar os livros que iria ler, e as aulas começaram.

Peço desculpas aos meus amigos de cá, porque eu fui bem chata na semana passada. Eu sou muito boa em reclamar, e quando eu conferi o meu horário e vi que tenho aula de manhã em 4 (QUATRO) dias dos 5 que tenho aula, e que saio da aula na sexta feira às 20:00, ah, arrasei em reclamar. Mas, conforme as aulas foram acontecendo eu fui me acostumando. E no fim, a aula de sexta-feira que termina às 20:00 foi a melhor da semana.

Faço seis disciplinas, três de Literatura (Literatura Portuguesa 3, Estudos Pessoanos - isto é, dá-lhe Fernando Pessoa - e Análise e Crítica Literária) uma de educação, faço o Inglês II e uma de Linguística. Não basta ser de linguística (o meu carma, a minha matemática da Letras), tem que ser Sintaxe e tem que ser às 9:00. Tem coisas na vida que é melhor não questionar, vamos aceitar e cumprir o compromisso.

O fato é que estou animada com esse retorno, agora na segunda semana já vejo a rotina se desenhando,  tudo vai entrando nos eixos. Gosto bastante das “cadeiras” de literatura. Análise e Crítica é com uma professora que já a conhecia do semestre passado. Estudos Pessoanos  é divertido (dependendo do dia), eu gosto muitos das aulas em que o professor leva os textos e as analisamos durante a aula, a propósito deixo aqui um trecho de um poema visto hoje em sala de aula:

“Sou um evadido
Logo que nasci
Fecharam-se em mim,
Ah, mas eu fugi.

(...)

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu não é ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer."

E a aula de Literatura Portuguesa 3 diz exatamente sobre aquela literatura do colégio. Seria chato, mas é inevitável, posso ter estudado Gil Vicente um milhão de vezes, porém, como todo conhecimento, sempre haverá algo para se acrescentar, ainda mais sobre Gil Vicente numa faculdade portuguesa. Sem dizer que me simpatizei com o professor, e hoje mesmo ele disse “peço desculpas por me estender em assuntos que não são de grande importância para o conteúdo, acontece que apaixono-me”.  Sim, essa declaração foi para um texto teórico. Mas tá valendo, ponto pra ele .

Na verdade tudo isso é para dizer que há duas semanas eu estava querendo que a FLUC  pegasse fogo e junto a ela explodisse os nossos testes e os responsáveis por eles (cof, cof). Mas agora, já estou a amando, mesmo com suas carteiras velhas, sua tradição que mais complica do que resolve e seus corredores feitos para nos perder. Enfim, eu não tenho vergonha na cara e amo quem me esnoba.


Aos meus amigos da Unesp, desejo um ótimo retorno às aulas. Sei que a Unesp judia todo final de semestre, mas depois nos dá esses três meses intermináveis de férias. Ela faz isso só para voltarmos morrendo de saudades e para esquecermos de seus defeitos. Quanta sabedoria.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Enquanto o semestre não começa...

Estou um tempo sem escrever aqui, mas não sem escrever. Peço desculpas, porque eu tenho pra mim que os poucos leitores deste blog são os mais afoitos por informações sobre  o que faço por aqui. Aviso-os que tive um mês de janeiro doido que eu jurava que iria se arrastar, mas, que nada, passou tão rápido e posso sentir que levará fevereiro junto com ele.

Nesse mês de janeiro fiz algumas provas. Fiz provas esperando que fossem simples, mas foram difíceis, porém fiz aquelas que esperava dificuldade absurda, e no fim fiz sem rascunhos.

Tirando esses exames, a vida continua. Pois é, nesse mês de estudo retornei a Porto e conheci Aveiro. Porto é uma cidade magnificamente linda, é só sentar e olhar. Esse é o passeio. Aveiro tem o título de “Veneza portuguesa”. Injusto. Aveiro é Aveiro. Veneza é Veneza. Odeio esses títulos. Porém, o charme dessas viagens foram as minhas companhias. Amigos? NÃO! Foi a minha família. Ah, olha só como esse mês foi ousado. Meus tios de São Paulo (mas nem por isso distantes, ao contrário, são daqueles familiares que a distância só serve para unir a família cada vez mais) vieram pra cá e eu tive o prazer de acompanhá-los. Tenho saudades desses dias.

Por falar em saudades, já que não tive aulas me sobrou tempo para sentir saudades. Senti daquelas saudades que parece que o peito vai estourar e a saudade vai escorrer pelo chão, não sei explicar isso muito bem. Teve dias que eu acordei, abria os olhos e pensava: “falta muito pra agosto?”.

Mas agora voltei a ficar tranqüila. Após a minha última prova comecei a missão mais importante desses dias de “férias”: arrumar meu quarto. Sim, eu sou bagunçada. Não sou de tirar uma roupa e guardá-la, e se caso guardo é certeza que não vou fechar a gaveta. Meu quarto só fazia lembrar a minha mãe “parece que passou uma guerra por aqui”. Caos. Estava planejando em arrumá-lo aos poucos, mas acontece que um amigo passou por aqui, e decidiu me ajudar nessa missão. É fato que ele limpou tudo, enquanto eu me decidia   se jogava folders de teatro ou entradas do cinema no lixo. Agora está tudo arrumadinho (ainda), minha mesa está me dando orgulho.

Outra coisa que fez a minha felicidade nesses dias foram as cartas recebi. Queridos amigos do Brasil que me escreveram e eu fiquei aqui, lendo e relendo cada correspondência. Achei ótimo! E devo dizer que email é bem eficiente, mas nada supera a emoção de abrir uma carta. Aviso-os  que estou respondendo todos.  Escrever uma carta também é um ritual.


Agora eu tenho uma semana para continuar a me reorganizar. Dia 13 voltam às aulas. Até lá vou lendo uns livros por aqui e vou torcer para que esse clima de chuva que invadiu o final de semana vá embora, porque quero ter uma boa leitura no Mondego. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Hoje: mais um dia?

Pois é, desde domingo meus dias estão fora do comum, sem se encaixar em nada.

Domingo voltei da minha primeira viagem por aqui. Fui para Barcelona com uma mochila e um amigo. Voltei de lá cansada como nunca, porém com a memória de ótimos três dias. Barcelona, eu te amo.

Depois que voltei estudei freneticamente e melancolicamente para uma prova. Pois, fui lá e a fiz. Era a chave que iria ativar a minha cabeça de volta ao mundo real, era para ser - mas não foi.

Não foi porque hoje, um dia após a prova, tive o dia mais maluco desses meses coimbrenses. Meus tios vieram pra cá, chegaram exatamente hoje. Estava louca para esse dia, passei muito tempo planejando o que fazer durante esse período. Sinto que por mais que eu conte os meus dias e mostre fotos aos meus familiares, ainda falta alguma coisa. Sim, falta eles viverem isso aqui. E agora com essa visita tudo parece confirmado, não há mais dúvidas. Foi surreal vê-los andando pelos corredores aqui de casa, dois mundos que pareciam tão separados na minha cabeça de repente se mesclaram. Momento dadaísta da minha vida.

Fora essa loucura, o meu dia começou com a ida a estação de comboios. Para buscar meus tios? Não, para levar um amigo. Aiaiai, essas despedidas me perseguem, quando não sou eu deixando os outros, os outros decidem me deixar.

Agora estou a pensar nisso tudo: ganhei uma chegada e uma partida. É o famoso equilíbrio? Não, não é. Equilíbrio não nos emociona e hoje estou a flor da pele.  Dia estranho que nem me deixa defini-lo.  É esperar para ver.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Natal, Feliz Ano Novo...

A última semana de todos os anos foi durante toda a minha vida a minha semana preferida do ano. Quando eu era criança, é claro, existiam os presentes que se acumulavam a cada chegada de um familiar distante. Agora que não desejo mais um cômodo da casa da Barbie (seja porque não brinco mais de boneca, ou porque já completei toda a casa), o que me deixa ansiosa é reunir todas aquelas pessoas que gosto muito, é ver o pisca-pisca brilhando na noite de 24 de dezembro e a comida, hum, como amo aquelas carnes de Natal e a lentinha do Reveillon. Então, eu, que vivo intensamente essa semana, neste ano enfrentei um Natal quase sem ceia e um réveillon sem vestir branco.

O Natal não foi um Natal, foi uma festa, um jantar que terminou num bar tocando London Calling. O Ano Novo teve fogos, vinho do Porto, kebab e depois disso,é claro, é hora de voltar para casa. Meu final de ano foi salvo (ufa!) e nunca irei me esquecer dessas “festas”.

Porém, se você me conhece do Brasil, sabe desse meu lado cético: promessa pra 2012? Ah, vai catar coquinho. Eu sou aquela que não vê um ciclo, mas uma reta, muda-se apenas o calendário... Vai nessa, Rafaelle.

Agora que eu comemorei tudo de uma forma alternativa as dúvidas enfim chegaram até mim. Então, isso tudo o que eu estou fazendo está certo?  Vou me arrepender?  Há como fazer melhor? Nessa vida louca qualquer mudança já está me fazendo derrubar o Woody Allen do divã para ocupar o espaço.

Daqui vejo coisas que poderia fazer diferente para não me aborrecer depois. Mas é aquele famoso risco. De vez em quando ele vale a pena.

Então, desejo a todos os melhores riscos para 2012. Se eu já estou fazendo reflexões de passagem de ano, o  que mais posso esperar?