segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pelas cores


Essas fotos foram tiradas no anoitecer do dia 5 de agosto, que por acaso foi o meu último dia em Coimbra. Gosto bastante das cores do céu. De seu azul  no dia ensolarado, dos cinzas no dia chuvoso e dessas cores de fim de tarde que parecem nunca se repetir.





segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sobre os últimos dias

Eu devo começar este texto já pedindo desculpas pela minha ausência aqui. Eu sei, às vezes a vida toma um ritmo que parece que tudo é rotina, e não há muito o que contar, mas quando se está no intercâmbio (mesmo que longo) e pegamos a passagem de volta nas mãos, percebemos que não há tempo nem para rotina.

No final de semestre, às vésperas dos exames, é quando todos sentamos e calculamos se o tempo passou rápido, ou não. E pela quarta vez eu vejo amigos dizendo que em Coimbra o tempo corre diferente: como é possível fazer tantas coisas e não sentir o tempo? parece que o tempo que passou correu. 

E neste semestre, neste derradeiro semestre, eu terminei fazendo mais coisas do que imaginava: Marrocos, o camping no Saara, depois, Paris! Paris e o meu encantamento quase hipnótico com ela. Na verdade, eu já tentei várias vezes descrever essas viagens aqui, mas não consegui. Como todas as viagens, elas estão em mim, grudadas em minhas ideias e lembranças. Ainda não é tempo de traduzi-las, mas senti-las.

Para além das viagens, para além dos vinhos na cozinha de casa e as tardes com os amigos pelos cafés, ainda teve o meu descobrimento das literaturas africanas, o meu reencontro com Eça de Queiroz com o romanção (tanto de tamanho como de qualidade) O Primo Basílio e as minhas leituras sobre a vida e obra de Lautrec.

Meu último semestre se baseou em tudo isso. Para ilustrar, a foto do céu de hoje a tarde, sobre a Sé Velha*.







*Foto desses aparelhos móveis, me desculpem.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Do sentimento do mundo


De onde nós somos sempre vai dizer alguma coisa sobre nós. Essa é uma sentença que eu escrevo neste momento mas que na verdade está plantada dentro de todo mundo.

Estes dias me encontrei com uma conterrânea matonense, e ao me dizer sobre um problema que ela teve com o aquecedor na casa dela, disse “agora vou torar o pau no aquecedor”. Achei genial. Senti o sol e o cansaço de quem sobe a Sinharinha Frota.

E depois emendei alguns outros pensamentos, na verdade condensei porque esse assunto anda borbulhando na minha mente não é de hoje. O lugar de onde somos é claro que sempre vai nos traduzir em algum momento, mas acho que isso tem uma proporção maior quando se é do interior. 

Durante muito tempo eu não gostei de ser do interior. Mas depois de Coimbra, um período em que passei longe de tudo que me era familiar, eu voltei em agosto muito feliz para o Brasil e muito mais contente para Matão. Passei um final de semana em São Paulo, não entendi muito bem qual é a dessa cidade. Claro, ainda vou achar a maior aventura ficar presa no trânsito, e se tiver enchente, a adrenalina sobe 100%. Mas acontece que até essa minha loucura pelas estações de metrô dá-se porque sou do interior. Se fosse de São Paulo iria xingar como todos.

Matão também me faz ver Coimbra, Porto, Barcelona, Arles, Londres e etc. de um jeito diferente. Eu pego tudo o que essas cidades oferecem e as traduzo em importância para uma menina de Matão. Acho que é porque sou do interior é que sempre vou me impressionar com uma viagem, seja para Oslo ou para Aveiro, aqui do lado.

Outro dia na aula o professor tentando explicar Drummond disse que toda a sua poesia vem a ser o "sentimento do mundo" que um itabirano tem enquanto vive longe de sua terra. E assim é a vida de quem às vezes sai de sua cidade pequena, seja por um final de semana ou pelo resto de uma vida. É o eterno sentimento do mundo dentro de um coração naturalmente pequeno, e talvez por isso transborde tanto.

Fica aqui registrado o charme que os interioranos tem quando dizem “vou este feriado para Itabira, Figueira da Foz, Santo Amaro, Marapoama, Cruz das Almas, Nova Granada, Nova Iguaçú, Matão...”

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Escritos


Uma vez escrevi aqui para dizer que a escrita muitas vezes me serve para organizar as ideias. E agora é um momento para isso.

Porque como disse para uns amigos que andei escrevendo, tive depois dos exames um tempo livre. Um tempo longe da Universidade. Utilizei o período para ler, ver uns filmes, ouvir músicas diferentes e todas essas coisas. Às vezes vem a ser arte da mais alta qualidade, mas também pode ser de uma qualidade nem tão boa e pior do que a arte nem tão boa, é quando ela é duvidosa.

Eu acho muito engraçado e também confuso como a Arte é classificada e, logo, consumida. Na verdade eu tenho uma certa dúvida se  tudo o que lemos o que lemos, ouvimos o que ouvimos e assistimos o que assistimos, se realmente se convertem em valores, e se isso acontece para todos.

Acho que é uma noção absoluta de que a Arte nos faz pensar em quem somos e como levamos a vida. Isso é absoluto sim, o que não é absoluto é o pensar, por intermédio das artes, na sociedade. Pois é, acho que falta isso às pessoas, de transferirem para o mundo o que aprendem além de interiorizar sentimentos e sensações. Mas passar a pensar em tudo, ou melhor, em um pouco mais.

Digo isso obviamente porque estou passando um tempo fora do meu país, e notar as diferenças,tanto do cotidiano como algo mais político-social torna-se inevitável, e portanto penso mais sobre o Brasil, mais sobre o Brasil em relação ao mundo, essas coisas. E mais do que isso, sempre usei como bengala do entendimento a cultura. E desta vez acho que estou mais próxima desse tipo de obras que fazem esse tipo reflexão.

Pois, quando eu tinha uns 15 anos eu ouvia artistas novos e lia os clássicos. Hoje ando ouvindo artistas mais velhos e lendo escritores novos.

Finalizei a leitura de O Filho de Mil Homens, livro de Valter Hugo Mãe que me cativou desde o início pelo título. A linguagem, um pouco de Saramago, nos remete a uma espécie de espaço geográfico relativamente pequeno, no qual as personagens tem as suas vidas e, portanto, seus problemas. Como em toda sociedade, as histórias vão se entrelaçando e os conflitos vão crescendo. Acontece que o narrador, que suaviza as histórias e nos mostra como pensa e como vive cada personagem, nos faz ver que no fim todos têm os seus motivos. E fiquei triste pelo o sofrimento do pobre rapaz que é homossexual, e que geralmente é surrado pelos outros moradores. Tenho mais pena ainda de sua mãe, que apesar dos conselhos de todos, não consegue odiar o filho e sofre em dobro.  Entendo a necessidade de um homem sozinho de ter uma família, e como uma mulher simples espera constantemente pelo o amor, nem que seja um amor piedoso do “homem maricas”. Durante essa leitura ficou bem clara aquela história de que cada um tem seus motivos e como o preconceito pode ser uma coisa natural de quem não tem paciência de pensar no outro, ou, nos outros. Portanto, a crítica mal fundamentada e insensível é a única arma dessas pessoas.

Como eu disse, a história acontece em um espaço pequeno, mas são temas universais. Podemos crescer o espaço o tanto que for, e as histórias vão se repetir.

Fazer essa leitura um pouco mais humanizada não me veio de um estalo. Não, na verdade eu acho que uma ideia puxa a outra e quando percebemos um tema, ou quando passamos a pensar mais nele, parece que tudo o que vemos nos remete a mesma coisa. Digo porque passei a pensar nisso tudo mais claramente quando vi há um tempo duas entrevistas do Caetano, uma mais recente e a outra mais antiguinha, nas quais ele praticamente repete o discurso de que a vida é complicada e cabe a nós saber lidar com ela (afinal, desde que o samba é samba, é assim). E é isso, Caetano, a vida é iminentemente complicada. Não adianta brigar contra isso. Ao contrário, é melhor abrirmos os olhos para os problemas e ao invés de nos refugiarmos somente neles é bom pensá-los. Acho que, e isso eu sempre repito a bons amigos, a nossa existência não pode se limitar a nós mesmos, considerando que muitas vezes os nossos problemas são de ordens mesquinhas. Se pensarmos no mundo até adequamos as nossas sensações a estes quadros universais: preconceito, a pobreza, a nossa política, o descaso com ela e etc.

Andei pensando, juntamente com isso, que como a Arte tem esse poder de nos dizer sobre tantos assuntos e por isso nos fazer refletir sobre problemas humanitários, acho que essas reflexões faz com que busquemos mais informações. E neste papel da Arte eu também acredito: o de parar de segmentar o conhecimento. Ora, eu estudo Literatura, mas não é por isso que só tenho que entender dos gêneros literários e das características técnicas de cada escola. Tenho que pesquisar a história, o contexto...

Vou parar por aqui. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Janeiro de 2013


Devo começar a escrever aqui me desculpando pelo o tanto tempo que estou sem escrever. Isso não quer dizer que não tive tempo, que nada de interessante aconteceu ou que me faltou vontade. Mas para mim, dentro da minha cabeça, o último texto que escrevi foi mais ou menos há duas semanas, mas na verdade foi há meses. Alguma vez eu já disse que o tempo em Coimbra corre diferente? Pois.

E este semestre, seguindo o calendário acadêmico, está se encerrando e eu nem o vi passar. Digo isso porque às vezes sinto tanta saudade dos meus amigos que já se foram, que me parece que eles partiram de manhã, e agora, mais uma vez, o processo de despedida está reaberto. 

Porém, no meio disso tudo ficam registrados na minha memória (memória é um lugar muito mais resistente do que um pen drive ou uma HD externa) grandes momentos. Entre eles essa história de readaptação, de ter que conhecer novas pessoas, viver na mesma casa, mas com pessoas diferentes. Das coisas mais marcantes do semestre ficam: os jantares aqui na nossa cozinha, o camping, o dialeto cabido-bigornês, Londres, Guernica,  a pancada do meu joelho na mesa de centro do hostel de Oslo, as oito disciplinas que loucamente resolvi me matricular, as fotografias, a "aula" de medicina legal...

Neste semestre também fiquei mais tempo dentro do meu quarto, convivendo exatamente comigo. A loucura de Coimbra, lá em baixo na Sé Velha, e eu aqui. Passar um tempo sozinha quer dizer passar um tempo com as palavras, com os desenhos, com as imagens e claro, com o futuro, com os planos.

E entre todos esses fenômenos de um intercâmbio, e entre todas as despedidas que passei e ainda vou passar, estou iniciando o meu último semestre. O que é algo tão sinistro quanto o primeiro semestre.

E só me dei conta disso exatamente quando acordei no dia 1 de janeiro, e mais, ainda não fui a Itália e nem a Paris. Coimbra, desacelere esse relógio. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

“Cada pessoa tem a idade com que nasceu. Se nasceu com 20 anos, tem 20 anos; se nasceu com 80, tem 80.”(*)


Essa foto foi tirada no início do último verão. Estava em viagem pelo Sul da França.
Mas ela não é minha, é de um amigo e única companhia durante a viagem. Quando a vi pela primeira vez, e isso foi há poucos dias, eu lembrei exatamente da hora em que foi tirada, em que parte de Carcassonne estávamos e o que estávamos esperando. Depois, eu lembrei do sol, do forte sol de meio dia, de um dia de verão. E também consegui repassar todo o resto do nosso trajeto, que foi de volta a casa.

Apesar de eu ter 22 anos, eu sinto uma memória tão extensa dentro de mim, a ponto de achar que minha mente tem 80. 

Eu sei que todos tem memórias, mas creio que algumas pessoas as sentem mais do que as outras. E é por isso que eu sou, portanto, aquele tipo de velha que adora ouvir as histórias dos amigos. 


(*) Estava pensando em isso tudo, quando encontrei essa frase, que eu chamaria de sentença, de António Lobo Antunes.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Das coisas que eu fiz - Parte 3


Depois de Oslo, fomos para o local que me era esperado. Estou dizendo de Londres. Foi muito bom ter deixado Londres por último, porque viagens são ótimas, mas acontece que tenho essa velha dentro de mim, e depois de quase 9 dias viajando, é bem provável que eu esteja cansadinha. Cansadinha, mas não em Londres.

Devo dizer que a cidade não é tão calma como eu estava esperando. Ao contrário disto, há muitas obras, muitos carros e pessoas. Aliás, dentro do último grupo estão os turistas. Sei que estou sendo um pouco hipócrita agora, mas os turistas um pouco que poluem o espaço, e tenho a impressão de que não conheço realmente o ambiente, apenas um lugar que as pessoas gostam de fotografar. Às vezes nem sinto a real atmosfera do lugar. Turistas, tenham calma.

Mas, como estava dizendo, se Londres é movimentada, ela é muito silenciosa pelo o tanto de pessoas que há nela. É bem verdade que o meu parâmetro de cidade grande, de cidade importante,  é São Paulo. E talvez São Paulo não seja parâmetro para nada. São Paulo é uma cidade que toda a sua loucura, é só dela.

Quando chegamos, teve uma certa decepção: chuva, vento e frio. Porém, eu pensei um pouco e cheguei a conclusão de que Londres estava me tratando como se eu fosse uma moradora comum, isto soou como um elogio a mim. A decepção passou. E fomos explorar a cidade, andar e andar.

No segundo dia o sol apareceu. E fomos conhecer o Palácio de Buckingham, o Big Ben, Abadia de Westminster, Picadilly... e depois teve aquele roteiro específico, aquele roteiro, que além de ser de turista, mas de quem realmente queria estar em Londres: Soho, Abbey Road e Notting Hill.

Notting Hill merece além de um parágrafo, meu coração. É bem verdade que há aquele filme com Hugh Grant e Julia Roberts. Mas este bairro me pareceu injustiçado por ser lembrado por causa de um filme comédia romântica. Portobello Road tem toda a sorte de lojas de antiguidades: móveis, câmeras, discos, roupas... Bancas com placas engraçadinhas. Casas bem cuidadas, flores que parecem durar todas as estações. Mais uma vez vou ser hipócrita: acho que moraria em Notting Hill.

No terceiro dia fomos ao museu, ao National Gallery. E o museu tem Van Gogh, tem Leonardo da Vinci, Rubens, Van Eyck... Obras que eu fico emocionada de estar frente a frente, sempre. Mas além das obras, gostei muito do ambiente, e eu, como uma futura professora, fiquei com inveja dos londrinos. Digo isso porque perdi a conta de quantos grupos de crianças com seus professores eu vi visitando o museu. As crianças sentavam-se no chão, e ouviam a explicação dos professores, e estes falavam sobre a tela, sobre o artista, o movimento que ele se encaixa, e mais do que isso, explicavam sobre a época. Vi aquele conceito de interdisciplinaridade dar certo pra valer. Algumas coisas fazem sentido.

E depois de 9 dias, voltamos para casa. Com uma mochila de roupas sujas, com máquinas fotográficas com memórias quase lotadas. E com nossas mentes pulsando de vontade de sentar e repassar toda a nossa viagem em nossos blogs.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

(creio que escrever serve também para por uma ordem às ideias. Porque na minha cabeça tudo funciona bagunçado: eu vou pensando, vou tento ideias, vou planejando e também vou vivendo, estudando, conversando, cozinhando... e quando vejo todas essas coisas estão soltas, precisando de uma organização - às vezes até melhor que a do meu quarto - e é nesta hora que escrever faz a diferença na minha vida. E agora preciso escrever pra por em ordem todas as saudades que sinto)

domingo, 14 de outubro de 2012

Das coisas que eu fiz - Parte 2


Após Madrid, seguimos para Oslo. Oslo?

Oslo é a cidade mais civilizada que já vi. Civilizada de verdade, onde os carros não correm, os pedestres caminham com calma, não há protesto político pelos muros e estou crente que todos falam inglês (e sem sotaque). As balconistas do Mc Donalds parecem que estão trabalhando por lazer, e atendem com uma certa pressa porque o motorista está vindo buscá-las para levá-las ao jogo de tênis. Só pode.

Em Oslo, capital da Noruega, eu senti, enfim, que já não era mais verão. O Outono de fato começou lá, e acho que o outono norueguês é o inverno de Portugal. Depois de um calor em Madrid, frio de 7°C na Noruega.
Passamos lá três noites e dois dias. O primeiro dia, melhor, noite, saímos sem rumo. Fotografando as ruas da cidade e vendo toda aquela organização. Da rua olhávamos as janelas dos prédios e víamos os lustres e os papéis de paredes dentro das casas e restaurantes. Segundo dia: dia de museu. Vimos O Grito, de Munch e muitos outros bons quadros. Adorei este museu, mesmo.
No último dia, nos afastamos do centro. A ponto de pegarmos um metrô em busca do museu viking e quando pedimos informação, a mulher que educadamente nos atendeu, pegou o nosso mapa e nos disse em bom inglês: vocês estão fora do mapa. Ok, é hora de rever o nosso senso de direção.  

Mas deste último dia fica registrado para sempre em minha memória o parque com esculturas, coisa muito maluca que não sei se compreendi. O nome do local é Vigelandsparken. O local em si é lindíssimo, eu que viajei com a minha Canon (meu novo afeto) surtei de tanto fotografar folhas com coloração de outono. Mas aquelas esculturas, não sei muito bem.

Também fomos ao museu viking! Adorei. Barcos vikings de verdade! E vendo tão de perto pude ver como eles foram caprichosos em construir seus artefatos. Eu saí de lá pensando como que as civilizações antigas tinham tanto capricho e tanta noção de estética para produzir seus artefatos, que na verdade deveriam, acima de tudo, ter uma utilidade. Demorei para ter um raciocínio simples, mas enfim cheguei a conclusão de que todas aquelas peças são tão lindas porque junto com a utilidade tinha a unicidade da ferramenta. Se gastava muito tempo para produzir um simples capacete (ou elmo), por isso o cuidado e o capricho. Nem vou ser clichê e terminar o parágrafo dizendo que ao contrário de hoje, que... 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Das coisas que eu fiz - Parte 1


Desde quando voltei a Portugal andei fazendo muitas coisas. Umas foram planejadas durante a minha vida toda, enquanto que outras foram decididas em 15 minutos (e nem por isso são menos importantes).
Vou começar escrevendo sobre as viagens. Viagem é uma coisa louca de se fazer, às vezes você vai esperando ver aqueles lugares de cartões  postais, porém você chega e percebe que é mais, os lugares tem vida, tem pessoas andando por eles, tem cheiro, tem calor e frio. E tudo é tão característico, é tão diferente e único. Às vezes eu viajo com ar blasé e volto pra casa já chorando de saudade deste novo local.

Madrid foi praticamente assim. Muita gente diz “prefiro Barcelona”. Eu entendo e eu viajei achando que preferiria Barcelona. Mas aí, Madrid apelou comigo. Essas cidades espanholas tem um ar de filme do Almodóvar que não é fácil. Parece que todo mundo é cult, que todo mundo entende de combinar cores ao mesmo tempo que são seguras de si, por isso não tem medo de arriscar (seja na roupa, na cor do cabelo, nos acessórios...). Madrid é urbana, urbana e com uma arquitetura linda. Porém, mesmo com essa cidade super bonita, foi dentro dos museus que ela me fez estremecer.

O Museu do Prado era por o que eu estava ansiosa. Museu do Prado é um nome que ouvi tanto, seja nos livros, na sala de aula, por bons amigos, ou por conhecidos pedantes, que parecia que na verdade ele nem existia, era só uma coisa que as pessoas gostam de citar. Mas ele está lá. Ele existe. E é imenso, daqueles que não dá pra ver tudo. Meu amigo Michael e eu traçamos um plano, pegamos o mapa do museu e fizemos uma estratégia para a visita. Só assim para aproveitar o espaço.

Do Prado se tem uma coisa que vou lembrar pra sempre vai ser As Meninas de Velázquez. Fui apresentada a essa pintura quando tinha 10 anos, quando estava na quarta série. Ele estava no meu livro de Português como exemplo de metalinguagem, fora do texto escrito. Me lembro perfeitamente daquela aula, me lembro até do local em que eu sentava na sala. Me lembro que era depois do intervalo, ela na sala do segundo andar e era a professora Silvana. Aliás, ela explicou muito bem, tão bem a ponto de até hoje usar a explicação dela quando vejo o quadro por aí. Enfim, tudo isso para dizer que ele está lá, lá no Prado. Foi lindo vê-lo pessoalmente, e poder analisar o pouco que eu sei frente a frente. A tela é grandona, como eu imaginava.




Esse quadro, na verdade, me deixou com a ideia fixa de assaltar o museu. Buscá-lo e levar para Matão. Levar para minha casa e todas as noites, antes de dormir, eu poder espiá-lo, só para ter certeza de que ele e todos os seus elementos, de fato existem. Mas, enfim, por enquanto deixa essa história pra lá.
Se do Prado eu esperava muito, do Reina Sofia eu estava indo porque todo mundo aconselha. As grandes atrações pra mim seria Dalí e Picasso. Mas, veja bem, eu não entendo muito de Surrealismo, e Picasso eu já tinha visto em um museu só dele em Barcelona. Aham, eu adoro quando eu tenho essa sensação de que já vi muitas coisas, e quando chega na hora, eu fico maluca, fico mais emocionada do que quem realmente estava esperando por aquilo.

Dalí foi mágico. Quando eu comecei a ver as suas telas, na verdade, logo na primeira, eu compreendi o surrealismo. Entendi, em um clique dentro da minha mente, que eles pintam sensações, é o subjetivismo através das tintas e das figuras.

Depois fui ver esse tal de Picasso. Gosto bastante de suas obras, principalmente porque através delas eu vejo que até mesmo os gênios estudam, aprimoram os seus trabalhos e experimentam. Ninguém nasce pintando igual Picasso, nem Picasso.

Enfim, nas obras de Picasso, no final da sala, tinha um outra sala, e eu estava sentindo que alguma coisa estava  acontecendo. E estava. Guernica estava lá. E eu que já estava a esperando, percebi que não estava esperando da forma certa.

Agora toda vez que eu me chatear nessa vida, eu vou fechar os olhos e pensar: Dane-se. Eu vi Guernica.


Eu não sou doida de estar falando assim. Essa tela está em muitos livros de Artes, é geralmente apresentada em uma imagem pequenininha e com uma nota de rodapé: Picasso, pintor cubista. A minha sorte é que tive boas aulas de Artes. Tive um professor que projetou o quadro na lousa e explicou tudo: A Guerra Civil Espanhola, o bombardeio, a luz elétrica, a tourada, o Cubismo, a condição de Picasso de que a obra deveria ser exposta quando não houvesse Guerra, e deveria ser exposta na Espanha. Pois é, destes livros para a vida real. Para os meus olhos. Guernica é uma tela-painel. Gigante. Um muro praticamente. Gostei de ver pessoalmente justamente pra ver que a coloração não é tão azul, e nem é tão cinza, como esses livros costumam discordar uns dos outros e principalmente do quadro.

Fui embora do Reina Sofia sem me entender. O museu espanhol, além de ter este acervo, tem instalações fantásticas. Me lembro que saímos de repente em uma sala com câmeras fotográficas antigas, expostas lindamente em uma sala decorada de estúdio de fotografia. Assisti excertos de Goddard e O Cão Andaluz (mais uma vez). Vi Kandinsky. Descobri mais uma dúzia de artistas. O Reina Sofia é o motivo de eu querer voltar a Madrid.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os novos brasileiros

Os brasileiros invadem Portugal uma vez por ano. Melhor, invadem Coimbra. A invasão sempre ocorre no mês de setembro, que é quando começa o ano letivo europeu. Termina o verão, terminam as férias. Começa o frio, começam as aulas e os nossos desgostos.

É claro, agora eu estou aqui explicando a todos como funciona o nosso calendário, dando dicas de casas, ensinando o caminho para o shopping. Mas há um ano atrás, a história era diferente. E o tempo tem disso, às vezes ele passa tão rápido que eu cheguei nesse semestre sem perceber, e quando me dei conta, fui  apresentada para as pessoas que chegam aqui em casa como a moradora mais antiga. Isso não acumula funções e nem qualidades, só fica o meu susto registrado.

E já que estou aqui, com o meu quarto estabelecido e já sei de olhos fechados o caminho até o mercado, fico reparando o que esses novos brasileiros em Portugal tem em comum. A comparação é a primeira coisa. No Brasil as pessoas fazem isso, no Brasil as pessoas dizem mais bons dias, no Brasil o atum é caro, no Brasil tem coxinha. É, no Brasil. Eu percebo quando os meus colegas brasileiros estão se adaptando quando essas comparações vão terminando. Quando a vida brasileira deixa de ser o assunto principal de uma conversa. Chega uma hora em que se para de converter os preços, e o que antes era barato passa a ser cotidiano, e passa a ser caro (consequentemente). Há o momento em que se para de conferir o horário e dizer “no Brasil agora é...” . É a hora que se para de julgar o estrangeiro, e entendemos que os estrangeiros aqui somos nós.

Enquanto isso não acontece eu vou me divertindo com esse famoso jeito brasileiro. Hoje, por exemplo, estava na cozinha da minha casa almoçando quando aparecem dois cariocas e um espanhol que fala português lusitano, quer dizer, que está aprendendo. Obviamente, os brasileiros começaram a comparar o transporte europeu com o brasileiro. E o metrô foi o principal assunto. O gajo espanhol então perguntou o porquê do metrô no Brasil ser tão problemático. O primeiro carioca diz “porque os políticos pegam as verbas e embolsam”. O espanhol franziu a testa e fez sinal que não entendeu o que ele disse. O segundo carioca foi explicar, de um jeito muito melhor: levantou da cadeira e disse que eles pegavam o dinheiro do metro e colocavam no bolso, isso foi acompanhado com o gesto de colocar as mãos nos bolsos rapidamente. Mas é claro que a ilustração fez com que o menino entendesse menos ainda.

Os brasileiros às vezes esquecem que nem todos são brasileiros, que nem todos entendem do que estamos falando, e como estamos falando.

Mas esse episódio foi um bocado engraçado. E só agora posso observá-los.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

The highway is for gamblers, better use your sense


O relógio aqui no meu note já me diz que hoje é dia 04 de setembro. Esse dia que parecia tão distante, enfim chegou. Na verdade, esse post é o resultado de uma pausa da arrumação da mala. Na verdade era só para por mais uma música da Gal no Media Player, mas eu sou muito boa em enrolar.

Além de ser boa em enrolar eu também sou boa em sentir. Cheguei a conclusão que antes de Coimbra eu nunca tinha sentido, nunca tinha de fato conjugado esse verbo em mim mesma. Antes eu tinha crises. Agora, eu estou nessa de pensar. E há um ano atrás, ir para outra cidade não me fazia preocupada. Eu ia lá ver como era. Agora, eu pensei, eu senti. E essa despedida vai ser um pouco mais dolorosa.

Obviamente, estou escrevendo como se fosse para a Faixa de Gaza, e nem é. Vou para Coimbra! O paraíso dos universitários. Mas, é claro, eu só vou me lembrar disso quando chegar lá.

Eu estava pensando o que é tão diferente em estar aqui, em Matão, de estar em Coimbra. Acontece que aqui em casa, eu fico toda espalhada, tem um pouco de mim na cozinha, na sala, no meu quarto ou no quintal com as minhas cachorras. Aqui nem uma barata eu mato. Em Coimbra eu tenho que me unir. Deixar pra lá qualquer saber amargo e ir viver. 

Por outro lado, alguma coisa está me dizendo que está na hora de voltar, de ir abrir aquela janela e deixar o meu quarto respirar a Sé Velha. O pó deve ter dominado tudo por lá. De repente, uma ponta de mim começa a dizer que tenho mais que fazer no outro lado desses mares que eu tanto ando navegando. 

Desde quando eu comecei a ouvir  Bob Dylan, eu entendi o significado da frase que dá título a este texto sem vergonha. Eu tenho o prazer de fazer parte do grupo que pode entender esse sabor de instabilidade estável.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

domingo, 19 de agosto de 2012

Em casa


Nas últimas semanas eu cansei de dizer a frase “em agosto vou para o Brasil”. Corrijo a frase, uma vez que deveria ter dito “em agosto vou para Matão”. Matão. Esse é o objetivo da viagem. Em Matão não tem praia, não tem shopping, não tem livraria e nem um café aconchegante tem. Mas tem a minha casa. Tem os meus pais e todas essas pessoas que os olhos brilham quando eu entrego uma mísera lembrança dos lugares por quais passei.

Aqui também tem os meus amigos: os que cresceram comigo, as amigas da adolescência - que me ligam dizendo que querem saber de tu-di-nho - e os da faculdade, daqueles que fazem o ônibus atrasar caso eu ainda não esteja nele.

Nesses dias eu tive churrasco e almoços em família. Na minha casa, na casa da minha avó ou no sítio. Reuniões com amigos, pizza com os amigos dos meus pais, visitas aos parentes que eu nem me lembrava. E por fim posso dizer que em Matão, quem diria, estou conhecendo pessoas novas.

Foi estranho sair por aqui pela noite e saber que não teria o NL, caso queríamos estender a diversão. Foi estranho escovar os dentes para dormir em uma terça-feira, sabendo que os meus amigos estavam indo para o Bigorna, e ao invés de ouvir que “mão direita é penalti” eu ouço os passos rápidos das minhas cachorras andando pelo quintal.

Matão, agora me lembrei, é tranquilidade. Aqui tenho tempo de pensar em tudo. E se eu ficar muito tempo sozinha no meu quarto, não vou me sentir angustiada e limitada pelo espaço. Ao contrário, vou me sentir segura. Às vezes, em tempos de mudanças, tudo o que precisamos, é voltar para casa. 


quinta-feira, 19 de julho de 2012

"You say it's your birthday"*


Então, 18 de julho! Gosto bastante de fazer aniversário, ao contrário de muitas pessoas que gostam de passar despercebidas, ou que acham que fazer aniversário é só ficar mais velhas, eu penso que essa data é a mais esperada. Não vou ser hipócrita, adoro responder os recados de Facebook, adoro quando o celular começa a tocar, adoro os abraços e os presentinhos.

E a cada 18 de julho eu gosto de lembrar do 18 de julho passado. Ontem eu me lembrei que, no ano passado, passei a semana em São Paulo . Meu aniversário foi na terça, e no sábado fui ao Comedians com a minha irmã e o meu cunhado,  assistimos o stand up de Murilo Gun. Fui infinitas vezes na Avenida Paulista, assistia FRIENDS pela manhã e tinha total liberdade para preparar o jantar na casa da minha irmã. Lembrei também que na segunda feira, dia 17 de julho, fui ao cinema com a minha tia, para assistir pela primeira vez o filme que está hoje entre os meus favoritos: Meia Noite em Paris. Lembro que estava lendo Cinzas do Norte, de Miltom Hatoum. Recomendo esse livro a todo mundo. E me lembro que quando eu terminei de lê-lo, me senti um pouco mal, um pouco sem destino. É bem verdade que eu não gosto de terminar um livro que estou gostando muito da leitura, sempre fico um pouco triste quando o fecho e coloco o marcador de página sobre ele, como se fosse uma marcação de que todas aquelas vidas que estavam nas suas páginas, morreram para mim. Não faço mais parte da história dele. Porém, naquela noite me senti meio estranha.

No dia seguinte, abri o meu email e estava lá que tinha sido classificada para o intercâmbio “cá de Portugal”. Lembro que liguei para minha irmã, e ela já chorou por mim. Isso ficou em segredo na casa dela. Até no domingo eu ir embora (antecipadamente) para contar aos meus pais. A partir daí, todo mundo já sabe da história.

E no 18 de Julho desse ano, não preciso dizer que foi o aniversário mais diferente até agora. Pra começar teve uma ligação da minha mãe de 2 minutos, ao contrário daqueles churrascos ou jantares que ela organiza tão bem. Isso já é muito estranho. Recebi também mais duas ligações made in Brazil, da minha tia e de uma amiga. Fiquei com aquela vontade de abraçá-las, a ponto de enquanto elas falavam, eu sentia o cheirinho delas. O que a saudade não faz...

Porém, esse aniversário lusitano foi muito divertido. Acordei na hora que eu quis, coloquei um vestido novo e saí por aí com boas companhias. Acabamos no Mondego, com vinhos, fritas e tremoços (o amendoim daqui). Depois, mais um tempo na Sé Velha, para comer o bolo que eu por acaso preparei no dia 17 de julho. Ele não ficou bonito, mas se é para usar uma citação de família, vai lá: “Feioso, mas gostoso!”. Também ganhei presentinhos:  ganhei um Elvis, uma Florbela Espanca e a obra que conta a maior aventura da Literatura: Odisseia. O Juca foi muito bom na metáfora com o nosso intercâmbio.

Escrevi tudo isso para dizer que fazer aniversário é muito mais do que aumentar um número na nossa conta, é um tempo que eu posso aproveitar como todos os dias deveriam ser. Mas, agora, eu estou pensando que isso acontece porque faço aniversário em julho, isto é, férias. Ah, dane-se, o que importa então é a minha sorte de canceriana. 



sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cara Literatura,


Enfim a última nota saiu. Encerrei o meu segundo semestre acadêmico melhor do que o primeiro. O que me deixa muito feliz. Acho que vou ter que admitir aquela história de adaptação que tanto falam por aqui. A minha última nota foi de Literatura Portuguesa. Após a leitura de um livro com características medievais e de ter estudado (decorado) Gil Vicente, enfim consegui a minha nota. Eu sei, eu sei, tenho que ficar feliz com a Sintaxe, porque é isso que não sei, que tenho dificuldades. Mas, chega uma altura na vida, que você já não se importa em ser ruim em uma coisa, mas perder o controle de algo que você tinha é mexer e virar do avesso o seu orgulho. Mas  você está fazendo as pazes comigo, ou eu estou fazendo com ela. Essa história de fazer mudanças radicais sempre faz um lado sair perdendo.

Eu vim pra cá, e meus pais não ficaram bravos comigo, ao contrário, me deram o maior apoio. Não tinha nenhum namorado pra fazer uma briga catostrófica. Não fiquei aqui depressiva e fazendo conta nos dedos pra ver quantos segundos faltam para 2013. Não engordei demasiadamente. É claro, alguém tinha que sair prejudicada, e justamente foi  você, Literatura.

Deixo aqui meu pedido de desculpas à você, que tantas vezes me salvou do tédio e me trouxe as melhores histórias que eu sei. Desculpas por no primeiro semestre te achar mesquinha e nesse ter faltado de algumas aulas, só por achar que você não merecia a minha presença. Vou me redimir a você, e a prova disso foi a compra de uns livros ontem. Prometo lê-los essa semana ainda, e depois organizar-te-ei  na minha estante. No semestre que vem, serás meu foco. E nunca mais brigarei com você, a ponto de te querer fora da minha vida.

Minha sinceras desculpas,
de sua admiradora entre tantos outros,
Rafaelle M. M.

sábado, 19 de maio de 2012

Para minha Mãe


A minha mãe disse que eu parecia triste. Mãe, não se engane e não se esqueça.

Não se esqueça de que eu me emociono perdidamente com a melancolia, mas só me permito àquela melancolia em que posso fechar o livro, dar STOP, ou desviar o olhar da imagem. Não se esqueça de que eu sei que a tristeza não é um sentimento digno e que não admito entregar-me a ela.

Não se esqueça de que não nasci para ser foliã, ao contrário, gosto do silêncio, ou gosto do meu barulho; aliás, gosto do barulho que eu sei de onde vem – e por isso me agrada.

Não se esqueça do som da minha gargalhada – que agora outras pessoas também a conhece – porque não termino um dia sequer sem ouvi-la.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A tal da Queima


Aqui em Coimbra na semana passada teve a tão esperada Queima das Fitas. É mais uma das tradições (a palavra mais usada na Universidade, tanto para o bem como para o mal: tradição) a qual marca a despedida dos estudantes. Então a Queima tem esse sabor de saudade antecipada de Coimbra, das noites, dos amigos, da liberdade.... dos tempos de estudantes universitários, isto é, aqueles anos em que nos julgam intelectuais e que na verdade só estamos reclamando da aula de amanhã às 9:00 da manhã.

Pois bem, no meio de tantas saudades e tradições é de se esperar algo triste, com lágrimas. Não nos enganemos, há sempre o Carpe Diem. Estou dizendo que a Queima é uma semana que tem festas, uma grande festa todos os dias, pra lá do Mondego. Tem bandas internacionais e tudo. É uma despedida para nunca mais esquecer.

Creio que essa minha primeira Queima não vai ser a minha última. Porém, acabei vivendo a semana passada com um pouco de saudade nos olhos, senti saudades por e pelos os meus amigos que logo menos estarão me deixando e retornando ao Brasil. Mas até lá há alguns meses para juntarmos histórias por aqui.

Aliás, tenho que esclarecer que na minha Queima eu assisti o ritual da serenata (o que marca o início da semana) do meu quarto, e adorei essa festa porque nas suas proximidades estavam vendendo algodão doce. Passei a semana de festas no meu quarto, indo às livrarias pela região, assistindo seriados, tomando cafés e tendo boas conversas. Não desci para a noite, fiquei por aqui vivendo a tranquilidade. Era para eu ter posto tudo em ordem, ao contrário disso, nem o aspirador no meu quarto passei.  Agitação por esses dias não eram bem vindas.

Talvez ano que vem eu esteja mais animada para essas festividades, mas eu já posso dizer que acho difícil. No fim eu continuo sendo aquela pessoa que se cansa fácil, e que precisa saber a hora que a diversão exacerbada acaba, para voltar para a casa, e para tudo que me é familiar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Do meu quarto

O meu quarto novo é de frente para a Sé Velha, tem uma sacada e é no segundo andar. O problema é que é neste espaço que os bares de Coimbra se concentram. A casa em que eu moro já fica em cima de um deles. Isso quer dizer que durmo todos os dias com muitas vozes na minha janela, assim como música e risadas. Porém, isso não atrapalha meu sono, durmo tranquilamente. Até mesmo porque aqui os bares têm horário para fechar: às 4h:00.

O estranho é que durmo com o barulho e mais ou menos lá pelas 4h:00 eu acordo, com o silêncio. E nessa noite acordei com o silêncio e com o carro que passa lavando a Sé Velha, e que sempre me deixa na dúvida se é chuva, ou não.  E nessa noite acordei com o silêncio e perdi o sono por causa da serenidade do som de água no chão.

Aqui em Coimbra tudo tende a ficar ao contrário. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Trapaceiros

Aqui em Coimbra é verdade que vivemos conhecendo pessoas novas, lugares novos e vivendo experiências que entre o trágico e o incrível eu classifico todas de divertidas. Porém, não tem jeito, os assuntos que mais estão na nossa mente são saudade e o tempo.

E, como me disse uma vez Hemingway,  durante o dia é muito fácil levar uma vida feliz, mas é durante a noite que a verdade aparece (isso não é uma citação, é apenas como eu lembro). Pois é, tem dias que passamos muito bem e durante a noite eu só queria estar em casa. Um amigo me disse que é normal sentir saudades e que todos que estão aqui sentem a mesma coisa. Peço desculpas, eu sinto mais. Não me culpem, culpem aqueles que conviviam comigo.

Embora na semana passada eu tenha sentido aquela saudade de casa, acho que a cada dia que passa estou sabendo lhe dar com ela melhor. Saber lhe dar com a saudade pra mim é voltar a fazer o que eu fazia em Matão, sem aquela melancolia. Há alguns dias voltei a escrever no meu caderno de capa azul. Tinha-o abandonado, nunca mais o tinha aberto e na mudança de quarto (essa mudança é assunto de um outro post) senti uma vontade imensa de escrever nele. Como nos velhos tempos. E lê-lo! Claro! Ativar a memória sobre fatos e pessoas que não vivo e convivo há algum tempo, mas que sempre estão comigo. E então sentei e escrevi. Escrever em um diário é melhor que terapia, escrevemos sem culpas e despejamos tudo o que sentimos e no fim me sinto livre das minhas angústias, fecho o caderno e grande parte delas ficam ali.

Voltei a querer ficar em silêncio para uma leitura, para a leitura daquele livro muito importante para a Literatura, mas que nenhum professor tenha pedido.  E lembrei que o melhor lugar para ler é no tapete.

Já falei isso aqui, mas gosto muito quando sinto que estou mantendo a minha essência.

Eu sei que a saudade vai permear duramente um momento e outro, enquanto que no resto do tempo eu convivo com ela. A verdade é que às vezes desmentir a despedida é muito difícil.